• Home » Notícias » Júri do “Caso Cassiano”

    Postado em 11 dez , 12 • Por

    Júri do “Caso Cassiano”

    Pin It

    Hoje, terça-feira (11/12), acontecerá na cidade de Passo Fundo/RS o júri dos réus pronunciados no processo do crime que ficou conhecido como “Caso Cassiano”. O referido caso iniciou-se em 28 de setembro de 2000, motivo pelo qual o ConstantinaWeb, com a colaboração do Jornal Folha da Produção, realizou um resgate histórico dos principais acontecimentos da época, que culminaram com a morte do jovem Cassiano em 29 de setembro de 2001, cujo desfecho está previsto para acontecer na próxima terça-feira (11/12), ou seja, mais de 12 anos após o ocorrido. No dia 30 de setembro de 2000, foi noticiado pelo então Jornal de Constantina (atual Jornal Folha da Produção) que Constantina deveria repensar a eleição. Na ocasião a notícia de capa era a seguinte:

    Seta indica perfuração à bala

     “Demorou um pouco mas aconteceu o que todos, indiscutivelmente, sabiam que mais dia menos dia alguém sairia ferido ou morto em conseqüência desta quase guerra civil que se instalou a cada pleito eleitoral em Constantina.

    Setas indicam perfurações à bala

    Até o meio-dia desta sexta-feira dia 29, informações vindas do Hospital São Vicente, de Passo Fundo, davam conta de que o estado de Cassiano, internado na CTI, era grave.

    O projétil, provavelmente explosivo, fez grandes estragos no crânio do rapaz, que dificilmente restará vivo.

    Quiçá o evento sirva de alerta e repressão aos que fazem a política constantinense. Está na hora de todos, indistintamente, repensarem as idéias, planos e atitudes.

    Não há prefeitura, não há cargo, não há dinheiro que sobrepuje uma vida humana.”

      Depois do ocorrido, passaram-se dias de especulações no município de Constantina, todos querendo saber que era o culpado ou os culpados pelo acontecido. Na edição de 28 de outubro de 2000, no jornal já citado, Renato Kozak, autor da coluna Acontece publicou o que segue:

     “CONVERSA: Durante a semana estive na DP, quando conversei com os agentes da civil. Negritaram todo o esforço que estão empreendendo para buscar o ou os culpados. O maior empecilho, informaram, são as informações desencontradas. Porém, garantem, mais dia, menos dia, todos saberemos quem foi.”

      Em 11 de novembro de 2000, no mesmo jornal, foi publicado um poema enviado por um colega de quarto de Cassiano, o qual pode ser visto a seguir:

    Poema – Clique na imagem para ampliar.

    Em 2 de dezembro de 2000, foi publicada uma entrevista com Cassiano Dall’Magro, o qual estava em sua casa. Leia na íntegra a entrevista concedida ao Jornal de Constantina (JC):

     “JOVEM ATINGIDO EM EMBOSCADA VOLTA PRA CASA E FALA AO JORNAL

    O técnico em agropecuária da prefeitura de Constantina, Cassiano Augusto Dall’Magro, atingido por um tiro na cabeça dias antes da eleição, depois de 50 dias internado em um hospital de Passo Fundo, voltou para sua residência, na Linha Barra Curta Alta. Ao lado da esposa Sônia e da filinha Keterli, falou ao Jornal de Constantina. Nas respostas, o jornal procurou usar exatamente o que ele falou e como falou, dando uma idéia mais precisa de seu estado.

    Cassiano e família

    JC – CASSIANO, O QUE VOCÊ LEMBRA DO DIA EM QUE VOLTAVA DO TRABALHO COM OS DOIS COLEGAS?

    CASSIANO – Eu lembro quando aconteceu… (dá uma parada e busca na memória os detalhes). Eu tava eu dirigindo. Daí ela, daí… um me mandou que, começou a gritar comigo. O Vande foi. Eu me lembro disso ai. Ele dizia: Cassiano pode ficar quieto que eu seguro, ele me disse. Só que a pampa não parava de andar. Eu vi que ele andava, não, eu notava que ela andava, mas não era eu que tava. Não tava com o é em cima (referindo-se ao pé no acelerador). Daí me seguram e pronto. Depois eu não consigo mais saber nada. Daí não ouvi mais nada e nem ouvi o que que eles me falavam.

    JC – TU NÃO LEMBRA DA TUA CHEGADA AO HOSPITAL DA MULTIDÃO QUE TINHA NA FRENTE?

    CASSIANO – Nada.

    JC – NADA DISSO?

    CASSIANO – Nada.

    JC – VOCÊ SABERIA DIZER QUANTOS TIROS FORAM? QUAL FOI QUE O ATINGIU?

    CASSIANO – Eu não, não, não consigo saber.

    JC – EM QUE ESTÁGIO VOCÊ ACORDOU, VOLTOU A SI?

    CASSIANO – Eu estava começando a me lembrar, aí eu fui para outra cirurgia. Aí apagou tudo de novo. Eu por mim eu fiquei uma semana só. Deu, pronto, não lembro. O reto me desligou tudo. Até os doutores acharam que eu estava lembrando de muita coisa, não, não lembro de mais nada. Daí fui para outra cirurgia.

    JC – COMO ESTÁ A TUA VIDA HOJE, O DIA-A-DIA. VOCÊ CONHECE AS PESSOAS QUE VÊM TE VISITAR, VOCÊ SE ALIMENTA BEM, TOMA BANHO SOZINHO. ELA ESTÁ QUASE NORMAL?

    CASSIANO – Eu não lembro do nome das pessoas. (nesse momento a esposa Sônia interfere para dizer que ele não consegue lembrar do nome das pessoas, que ele se esforça, fica nervoso, mas não lembra).

    JC – O QUE OS MÉDICOS DIZEM SOBRE A RECUPERAÇÃO DELE?

    SÔNIA – Os médicos informaram que durante um ano eles irão avaliar. Ele não pode dizer se vai ficar com alguma seqüela. Só o tempo nos dará essa resposta.

    JC – QUEM ESTÁ TE AJUDANDO NOS CURATIVOS?

    CASSIANO – A, a, a Sônia me faz. Ela me faz porque é fácil agora. Me disseram para ir todos os dias fazer curativo. Todos os dias (pára de falar e põe a mão na cabeça impressionado com o que disse: Todos os dias). É, todos os dias. Daí ela faz. Eu tenho, eu tenho, eu tenho que fazer mais uma semana. É. Mais uma semana. Depois eu tiro tudo isso aqui (mostrando com o dedo os curativos na cabeça).

    JC – COMO ESPOSA, VOCÊ SENTE QUE ELE ESTÁ SE TORNANDO NORMAL?

    SÔNIA – Quando estamos só nós em casa ele tem um comportamento normal. Quando chegam pessoas que o conhecem, mas que agora lhe são estranhas, ele fica nervoso por não conseguir lembrar delas. Por exemplo, ele continuar sabendo dirigir, mas não sabe, como faz para ir até a cidade, para a casa de algum amigo e assim por diante. Ele não conhece mais as estradas. Mas a esperança é grande, pois estamos começando a sair e ele vai para locais onde freqüentava. Aos poucos começa a se lembrar.

    JC – TE CONTARAM, CASSIANO, AS CIRCUNSTÂNCIAS DE COMO OCORREU ISSO CONTIGO, EM MEIO A UMA CAMPANHA ELEITORAL?

    CASSIANO – Eu não sei (fala com o tom de voz bem baixo) é ruim, é ruim. Um tiro. Eu levei um tiro, é, é, na, na… minha cabeça. (nesse momento volta a falar do acidente) O Vande falou comigo. Daí eu disse pra ele, não, ele que me disse (nesse momento fica nervoso por não lembra). Gritou comigo, gritou que era para eu ir reto. Para dirigir reto. Ai eu, eu, não sei mais nada. Daí bateu. E eu não sabia ir reto. Eles diziam para ir reto. O Vande me disse.

    JC – VOCÊ TENTOU RESPONDER O QUE ELES DIZIAM?

    CASSIANO – Não, eu ouvia. Daí eu cai assim, pra trás. Daí o Vande, não, o Márcio, é, o Márcio, gritava comigo. Pra dirigir. Ele disse pra frear tudo, só que eu não conseguia. Eu me lembro que eu estava com o pé acelerando. E não era para acelerar. Eu não sabia tirar o pé. Daí tava acelerado e os piás me disseram: tira o pé do ace, do acelerador. E eu não, não tirei. Daí eles tiveram que dirigir eles e eu acelerando. Daí bateu igual.

    JC – DEPOIS QUE BATEU TU LEMBRA ALGUMA COISA?

    CASSIANO – Não. Eu… Não… Me lembro… Mais. Mas isso eu me lembro, que eles gritavam comigo que era para eu tirar o pé e eu não sabia tirar o pé da onde. Até que eles, eles, até que eles me pisaram em cima. Ai eu parei. Bateu. Cai assim. Daí eles me perguntaram. Tu tá bem Cassiano? Eu disse, eu to bem. Eu não sabia onde é que eu estava mais. Daí eles me tiraram, me tiraram. Não, eu não sei. Mas eles me tiraram de lá. Conseguiram me puxar. Mas eu não caminhava.

    JC – TE COLOCARAM DENTRO DE UM CARRO?

    CASSIANO – Não lembro mais. Ah! Nós andava correndo depois dentro de um carro. E andava correndo daí. E eu não dirigia. Era outro que dirigia. Esse cara dirigia e ia correndo e eu, e eu, e eu nada. (momento em que perde novamente a lembrança dos fatos).

    JC – TU VAI MELHORAR, NÉ…

    CASSIANO – Eu, eu vou sim. Eu vou melhorar. Por, porque eu vou ficar bom. O doutor me disse que eu vou melhorar. O médico me mostrou, eu perdi um pedaço do cérebro. Matou, matou um pe, um pedaço. O médico me disse que eu não ia enxergar bem. Eu enxergo sim.

    (Retorna a falar sobre o acidente) Eu tava correndo demais. Demais. O Luci, não o Luci, o Vander me disse: Caciano, tira esse pé que tu corre demais. E eu não tirava o pé. Daí ele teve que tirar o meu pé. Daí ele tirou o meu pé. Daí eu bati. Eu bati. (na seqüência da conversa ele falou mais sobre o hospital, do churrasco que lhe deram e sobre a proibição que lhe fizeram de sair do hospital quando tentou isso).”

     Em 16 de fevereiro de 2001, na coluna Acontece de Renato Kozak, foi publicado o seguinte:

     “CASSIANO: Um homem foi preso durante a semana por ser suspeito de ter atirado no funcionário da prefeitura dias antes do pleito eleitoral de outubro.

    Tomara que esse caso seja elucidado, pois é o que quer a família, a polícia e a comunidade de Constantina como um todo.

    À medida em que os culpados forem encontrados e punidos, num futuro bem próximo, outros pensarão duas vezes antes de fazer bobagem.”

     No dia 16 de junho de 2001, a seguinte notícia foi veiculada através dos jornal já referido:

     JOVEM ATINGIDO ANTES DA ELEIÇÃO TEM PARTE DO CORPO PARALISADO

    O sofrimento da família DalMagro, mas em especial do jovem Cassiano, que foi alvejado por um tiro na tarde de 28 de setembro de 2000, dias antes da eleição em Constantina, parece não ter mais fim.

    De lá para cá já foram nove intervenções cirúrgicas, sendo que as últimas foram realizadas nos dias 30 de maio e 05 de junho, a primeira delas para fazer a reposição de partes do seu crânio e a segunda para a retirada de um coágulo sangüíneo localizado no cérebro.

    Cassiano, que voltava do trabalho com um carro da prefeitura municipal hoje tem o lado direito do corpo paralisado e só caminha com a ajuda de outras pessoas.

    No último dia 11 ele deu alta do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, mas durante a noite não apresentou o mesmo comportamento dos dias anteriores, sendo então internado no Hospital São José, de Constantina.

    Procurada pelo Jornal Folha da Produção, a polícia civil afirma que os trabalhos investigatórios continuam, mas a falta de colaboração da comunidade, no oferecimento de informações, tem dificultado o avanço no sentido de elucidar a questão.

    O Delegado Ferreira, acompanhado inspetor Santin, esteve na Linha Bonfanti na tarde da quarta-feira, dia 13 de junho, quando conheceu “in loco” todas as cercanias e também o ambiente do local.”

     Em 22 de setembro de 2001 foi manchete do jornal: “CASO CASSIANO COMPLETARÁ UM ANO SEM SOLUÇÃO”. Na oportunidade foi referido que o mesmo estava em estado vegetativo e ainda não haviam sido descobertos os autores, tampouco as circunstâncias da emboscada haviam sido esclarecidas.

    Cassiano leva vida vegetativa.

    No dia 03 de outubro de 2001 a notícia do falecimento de Cassiano Augusto Dal’Magro, ocorrida em 29 de setembro de 2001, foi publicada no jornal acima referido, na coluna Acontece:

     “FALECIMENTO: Minhas condolências aos pais do jovem Cassiano Dal Magro, à sua esposa e também à filhinha, pelo falecimento do mesmo na manhã do sábado, dia 29 de setembro, em Constantina.

    Coincidentemente na sexta-feira, dia 28 de setembro, havia completado um ano do episódio que acabou custando-lhe a vida. Infelizmente o ou os culpados ainda não foram encontrados pela polícia.

    DESCANSO: Indiscutivelmente que a perda do jovem, para os seus familiares e amigos, é terrivelmente dolorida. Todavia, Cassiano merecia descansar. Poucos tinham noção do seu estado de saúde. A foto publicada no Jornal Folha da Produção a questão de algumas semanas ilustrou o sofrimento do rapaz e de seus familiares. Que ele descase em paz e que a sua morte seja a mola propulsora para mudanças radicais no jeito de fazer política em Constantina, um método que vem ganhando adeptos em outros municípios da região. Isso é muito perigoso.

    JUSTIÇA: No domingo de manhã, a frente do cortejo fúnebre, algumas pessoas portavam uma faixa clamando por justiça.

    Hoje o que mais se quer em Constantina, independente de paixão político-partidária, é que nomes venha à tona.

    É necessário que a autoria seja conhecida, até para desafogar a pressão que algumas pessoas estaco recebendo.”

    Depois da morte, 12 anos se passaram, muitas foram as idas e vindas do caso que culmina com júri acontecerá neste dia 11/12, com o início previsto para às 13h30min, em cujo processo figura como autora a JUSTIÇA PÚBLICA e como réus, os quais possuem como defensor o advogado José Antônio de Oliveira Valle, as seguintes pessoas:

    • ANTONIO BONFANTI;
    • CATIANO CECCATTO;
    • ILISAN LUIS DE DOMENICO;
    • LUIZ CARLOS CECCATTO;
    • PEDRO VARGAS;
    • VALDIR SABADIN;
    •  ZELINDO ANTONIO GARBIN.

    O processo não possui segredo de justiça, e pode ser consultado no site do TJ/RS, com o nº021/2.10.0001322-6, o qual tramita na 1ª Vara Criminal de Passo Fundo/RS.

    Pin It

    Relacionados

    « ANTERIOR PROXIMO »

    Scroll to top